Desabafo

(post escrito por etapas em datas diferentes)

Já se passaram alguns dias desde a virada para 2018. Normalmente lá pelo meio de dezembro eu escrevo meus textões de final de ano, começo a lista de resoluções para o ano seguinte, me encho de esperanças de que finalmente começarei uma dieta e que vou emagrecer de verdade … mas dessa vez, pela primeira vez em 38 anos eu quis que tudo explodisse (e ainda quero).

Estou aqui sentada na varanda do meu apartamento, sozinha em casa, somente com o gato, contemplando o pôr do sol. Na verdade estou completamente depressiva no dia de hoje, nos últimos dias, na verdade desde o dia 18 de dezembro.

Neste dia eu iria a um evento da IGN para o lançamento de um jogo aguardado, mas antes que eu saísse de casa, recebi um telefonema do SAMU informando que meu pai havia passado mal na rua e que estava sendo levado para a emergência do Hospital de nossa cidade.

Chegando lá e depois de 4 horas de exames, eu soube que ele havia tido um AVC e que tivera todo seu lado esquerdo do corpo comprometido. Ele passaria a noite internado na emergência e no dia seguinte subiria para a ala de internação, e passaria por novos e mais complexos exames.

Ele ficou quatro dias internado e o diagnóstico era de que ele estava com uma trombo no coração — um coágulo — cuja única solução seria tomar um anti coagulante fortíssimo, mas que foi negado pelos médicos que informaram que era uma decisão de altíssimo risco — por ele morar sozinho e cair com frequência dentro de casa (ainda mais agora que estava com o lado esquerdo prejudicado). Desde o primeiro dia de internação ficou deitado, ninguém tinha ideia de como ele se portaria de pé.

No dia da alta meu marido me ajudou a levá-lo para a casa dele, e mesmo alugando uma cadeira de rodas, vimos que não existia possibilidade alguma dele se manter de pé sozinho. Ele não estava paralisado, mas perdeu 90% da força nas pernas e braços.

Silton e eu sozinhos não conseguimos ficar com meu pai, dá-lo banho ou levá-lo ao banheiro. Naquela sexta-feira, Silton me ajudou até onde deu, e depois voltou para casa. Fui pra casa com ele para tomar um banho e jantar. Em 30 minutos meu pai caiu do sofá e gritava por socorro a ponto do síndico do prédio me ligar desesperado. Nossos planos era de contratar uma cuidadora, mas naquele dia, me dei conta de que uma pessoa só nunca daria conta. Teriam que ser no mínimo duas pessoas, e dois turnos, ou seja, umas quatro pessoas. O custo disso seria absurdo e ninguém da família tem condições de pagar sequer uma pessoa só, quem dirá quatro!

Passei a noite lá, mas eu não dormi. Meu pai gemeu de dor a noite inteira. Além dos movimentos, a cabeça ficou um pouco mais confusa do que já estava. Para se ter uma idéia, ele queria tomar banho às 4hs da manhã, sendo que por volta das 22h eu já havia dado banho nele.

Foi desesperador. Naquela madrugada eu nunca me senti tão sozinha em toda minha vida.

Cheguei à conclusão de que eu não poderia cuidar dele, se o fizesse teria que renunciar à minha vida, minha casa, meu trabalho, meu casamento. Na manhã de sábado, conversei com um dos meus tios (irmão de meu pai) que estava intermediando as decisões dos irmãos; a ex mulher e todos concordamos que a melhor saída era leva-lo para uma casa de repouso onde teria assistência médica 24h por dia, teria semanalmente o auxilio de fisioterapeuta, psicologo, geriatra, nutricionista, etc.

Meu marido telefonou e visitou lugares próximos à minha residência, enquanto eu ficava com meu pai. Conversou com pessoas, pesquisou preços, e encontrou um lugar. Eu consegui aos poucos faze-lo entender que eu não conseguiria sozinha e que precisávamos todos de ajuda, toda ajuda que fosse possível. Ele aceitou ir para um lugar — desde que não fosse um ASILO. Eu consegui convencê-lo de que não era um — mas era, né?

Eu só sabia que na casa dele não era possível ficar. Além da condição física, o apartamento está sujo, é apertado, cheio de tranqueiras que ele não se livrava .. meu pai é acumulador de sujeira. Se fosse-mos contratar cuidadores, ainda teria a faxineira, ou pagar extra às moças para que cuidassem do apartamento. Impossível.

Naquela tarde de 23 de dezembro, enquanto todos planejavam suas ceias de Natal ou viajavam; eu acordada há mais de 24 horas sem dormir, com roxos pelo corpo inteiro por carregar meu pai para banheiro, com a roupa podre e fétida de suor, por eu ter dormido com ela, amarrotada, com gotas de sangue (das pernas do meu pai com feridas), Silton e eu carregamos meu pai na cadeira de rodas pela escada do prédio. Para completar o elevador estava em manutenção. Tivemos que descer 1 andar carregando-o.

Chegamos à Clínica — prefiro chamar o lugar de Clínica do que Asilo, do que Casa de Repouso — e eu precisei conter meu choro. A sala era cheia de idosos, algumas das senhoras estavam amarradas à poltrona. Foi uma das piores cenas que vi em minha vida. O Celso, dono da Clínica, fez uma entrevista comigo, para saber com quem meu pai dividiria o quarto, nos apresentou as acomodações, explicou como as coisas funcionam e então chegou a pior hora de toda a minha vida, a hora de sair de lá e deixar meu pai.

Eu mal consegui assinar a documentação, cai no choro (estou chorando agora enquanto escrevo isso). Me despedi de meu pai e sai aos prantos. A dona do lugar (não me lembro o nome dela) me abraçou e disse que lá meu pai vai ser muito bem tratado, disse que era para eu acalmar meu coração e então eu desabei. Devo ter chorado por umas 3 horas seguidas.

Minha dor era deixa-lo lá, junto com outros idosos; uns com Alzheimer, outros apenas com demência senil. Quando alguém morre, um ciclo se encerra. A pessoa descansa, os familiares ficam em paz (no começo dolorosamente), mas depois com a certeza que a pessoa está bem. Eu não. Não nesse caso. A dor só aumentou e não estou bem. Nada bem. Por mais que as pessoas, muitas pessoas me digam que tomei a melhor decisão que poderia ter tomado, foi a mais difícil. Não ter com quem contar é difícil. Tenho Silton, mas ele pode fazer pouco, embora já tenha feito muito. Por mais que eu saiba que se não tivesse sido assim, meu pai, eu e Silton, todos estaríamos sofrendo horrores, EU ter que tomar essa decisão é cruel. E não importa o que me digam, o que achem, eu não consigo mudar isso o que sinto, o que penso.

Estou de férias do trabalho e da terapia. A terapeuta nem sonha que tenha acontecido tudo isso. Estou de férias, mas eu nunca me senti tão cansada, tão triste, tão exaurida, tão desmotivada, tão desesperada, tão sozinha quanto tenho me sentido desde que tudo aconteceu.

Eu passei o Natal com a família do Silton, mas queria ter ficado sozinha em casa. Contava as horas para vir pra casa deitar. O ano novo eu passei na casa da minha mãe, mas foi como se eu não estivesse lá. 

Foi a virada de ano novo mais bizarra da minha vida. Pela primeira vez na vida eu não pedi nada ao universo, nem agradeci nada. Não fiz planos, não fiz listas, não pratiquei mantras, não mentalizei positivamente nem negativamente, não pensei em 2018, não tracei metas, nada.

Eu estou exausta.

Todos os dias fui à Clínica, talvez nesses 15 dias eu não devo ter ido lá uns dois …

Voltei ao trabalho depois de 20 dias de férias onde não consegui dormir mais de 5 horas por noite. Todo dia o risco eminente de meu pai me telefonar pedindo para eu ir buscá-lo, ou dizer que precisa “ir rapidinho” em casa. Se por algum acaso eu não atendo imediatamente sua ligação, ele deixa várias mensagens na caixa postal, em 1 dia ele já deixou mais de 12 mensagens. Se eu ouso desligar o meu telefone, ele liga desesperado para todos de sua lista de contatos dizendo que não consegue falar comigo.

Hoje estou com uma dor surreal em meu peito, bem no centro e muito forte ao respirar fundo. Estou postergando a ida ao pronto-socorro, mas creio que não vai ter jeito. Dizem que é emocional. Se for, preparem meu caixão.

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Geral, Inspiração

Coma Com Os Olhos!

Muita gente, mas muita gente mesmo sempre me fala que pira nas minhas fotos de comidas, que elas sempre dão muita fome. Tirando o fato de talvez, meu trabalho influenciar nas minhas fotos (sou diretora de arte), eu aprendi a montar os pratos de forma que me ajudem a comer melhor.

Porque minhas fotos dão fome? Elas geralmente são comidas comuns, sempre salada com uma proteína. A maioria das pessoas torce o nariz pra isso, mas ainda assim elas se interessam pelos meus pratos. Entendi então que a “beleza” de uma foto, ou no minimo uma foto agradável esteticamente, instiga a se comer tudo.

Como fazer isso?

1) Ter um instagram dedicado à dieta.

Ter um Instagram dedicado à sua dieta e aos seus exercícios faz com que você siga e seja seguido apenas por pessoas que se interessam pelo mesmo assunto. Ninguém da sua timeline vai reclamar de ver pratos de comida ou fotos dos tênis quando você sair para caminhar / correr / ir para a academia. Além disso é importante para registrar todas as suas refeições ou a maioria delas e saber quando você pisou na bola. Quando houver sucesso, você vai olhar as fotos e sentir orgulho de si mesmo. É gostoso olhar para trás e ver seu progresso e empenho. É legal também para registrar as datas e assim também inspirar outras pessoas a fazerem o mesmo.

2) Montar pratos bonitos o suficiente para serem postados no Instagram.

Atualmente nos deparamos com muita gente falsa na internet, principalmente no Instagram, que sempre retratam uma vida aparentemente perfeita. Embora devamos ser o mais “real” possível, no caso da comida, devemos fotografar sempre o melhor sim. Antes de montar o prato, pensar como ele deveria ser montado, como deveria se parecer, cuidar da distribuição de cores, olhar e pensar antes de colocar no prato. É um trabalho minucioso, como se fosse um desenho.

3) Se importar com a opinião (julgamento) alheia(o)

NUNCA devemos nos importar com que os outros pensam sobre nós, mas no caso das comidas do Instagram, pode ajudar a manter a dieta nos trilhos, se você se importar com um futuro julgamento alheio. Há dias em que queremos comer bosta mesmo sem se importar com o que os outros dizem, então basta não postar. Mas vale a pena pensar nos seguidores naquela hora de montar o prato. Eles julgariam seu filé de frango à parmeggiana ou eles achariam melhor um filé de frango comum?

4) Montar o cenário e cuidado com a luz

Outros fatores tão importantes quanto a comida em si é o cenário. Eu por exemplo uso conjuntos americanos (aquele treco de pôr o prato por cima) como fundo das fotos quando as tiro em casa. O meu listradinho e colorido cria efeitos muito legais para as fotos. Uma boa ideia é apostar em um prato colorido, diferente para as fotos das refeições. Vale a pena lembrar que as fotos não são feitas somente para os outros olharem, vai acabar agradando a vocês mesmos. A última e talvez mais importante dica é ILUMINAÇÃO. Isso vale para qualquer foto na VIDA. De preferência tirar fotos perto de janelas com iluminação natural, se não for possível, tentar não postar fotos escuras e inclinar o celular de forma que não crie sombras em cima do prato.

5) Quanto mais colorido melhor

Não é para encher o prato de M&Ms coloridos. Se forçar a encher o prato de legumes e vegetais coloridos deixa o prato mais harmonioso. Lembre-se que é como desenhar uma linda mandala colorida. Pense nos pratos dos MasterChefs ou da página Tasty do Facebook. A beleza importa!

Creio que comer fora em restaurante por kilo ajuda bastante na hora de montar um prato, mas se você não pode, se come em casa, separe umas moedas, compre um prato colorido, monte o prato com calma e fotografe perto da janela. Você vai notar mudanças no seu Instagram, nos seus seguidores e principalmente em você mesmo. Primeiramente VOCÊ é quem deve comer com os olhos aquilo que está diante de si.

Desabafo, Geral

Novo Recomeço de Novo

Pleonasmo, eu sei, mas não existe título melhor que este.

Senta que a atualização é longa.

Eu brinco que acabei tirando licença maternidade junto com minha professora de Zumba. Acho que o fato dela ter saído de licença e a falta de química entre professores da academia e eu me afastou do meu foco. São muitos os fatores, mas esses daí contribuíram.

Tudo começou com a saída da Sheila, mas acho que piorou com meu desgosto pela corrida depois do resultado da Athenas 12K. Não digo resultado em tempo, mas sim de como levei a prova toda. Deu no saco o mundo fitness. Saturei. E a minha auto cobrança para retomar os treinos me levou para o caminho contrário. Quanto mais eu pensava nisso, mais me dava ódio. Eu sequer conseguia ler o grupo da academia no WhatsApp, realmente tomei ódio. Nesse mesmo tempo retornei à minha nutricionista, ela fez um novo cardápio e eu não consegui seguir. Eu precisava de mais alguns empurrões.

Foram 4 meses de esbórnia alimentícia, muita coca-cola e preguiça. Confesso que tenho consciência também que pode ser minha depressão que voltou com tudo, ainda estou para buscar ajuda médica para isso, mas é outra história. Em março também passei a fazer parte de um grupo de garotas gamers que se reunem para jogar online. Juntou a fome com a vontade de comer. Aliei a preguiça à desculpa de ficar em casa para jogar; e quando eu comecei a esboçar um desejo de tentar voltar a malhar, lá estava eu desistindo por conta dos jogos.

Minha academia mudou de endereço e eu fiquei ensaiando voltar. O que me motivou foi que meu marido foi que dia 1º de Agosto meu marido começou uma dietinha. Era uma das coisas que me impedia de comer corretamente. Somos um casal de trollzinhos gordeeeenhos. Estava sendo impossível seguir dieta sozinha com ele comendo tantas coisas gostosas na vida. Acontece que com a puxada de freio dele, resolvi fazer dieta também. A melhor parte de ter o apoio dele é que estou há 8 dias sem coca-cola e comendo tudo saudavelmente. Nem no final de semana eu jaquei, nem nada. Tá lindo, tá tudo indo!

Foto de 2016. Hoje estamos maiores.

A cereja do bolo ainda estava reservada. Algumas das minhas amigas do grupo de games também estão fazendo dieta e tentando reeducar sua alimentação, então resolvemos nos unir e uma apoiar a outra. O resultado é um grupo à parte das gamers que estão na mesma luta. Esse apoio delas foi fundamental para eu tomar a última decisão: voltar para a academia.

Na segunda, dia 7 voltei para a academia (no mesmo dia de retorno da professora que estava de licença maternidade).

Antes da aula de Zumba, conversei rápido com uma professora sobre meu treino de musculação. Como sempre não houve aquela empatia, aquela química, mas faz parte né. Ninguém será como a Fernanda (do Palmeiras), o Rodrigo e o Gustavo (da própria F2). Tentei dar uma breve ideia de quem eu era e o que precisava, mas ela não estava muito interessada. A sorte é que eu virginiana psicótica por listas e hyper metódica, escrevi uma listinha de coisas que eu já tinha feito, de coisas que aconteceram e quem eu era. Um resumo de 5 anos da minha vida, listada em uns 15 tópicos. A professora vai fazer meu treino novo. Medo. Começar com professor novo é um saco, já falei sobre isso aqui.

Fiz minha aula de Zumba como se fosse a primeira vez. Quase morri e tive que parar diversas vezes durante as danças. Mas foi bom. Sai de lá me sentindo vitoriosa, como nunca.

É sempre bom voltar e com o apoio de taaaaaanta gente diferente. Foi legal ver as meninas, a professora Sheila, me apoiando e felizes de eu ter voltado. É bom ver meu marido animado e confiante, é bom ter as meninas do grupo de gamers, mesmo `a distância tão empenhadas em apoiar umas às outras. Acho que precisamos sempre nos rodear de pessoas de bem e sempre na mesma pegada. Nunca vai deixar de ser fácil, mas com certeza fica menos dolorido.

I’m back, bitches!

Desabafo, Provas de Corridas

Athenas 12K – Deu Ruim

Depois de mil anos que se passaram a prova do Circuito Athenas venho contar a experiência horrível que foi. Vale sempre deixar bem claro que eu não treinei para isto. Me propus a treinar e não aconteceu, assim como também não aconteceu de eu voltar para a musculação e muito menos engrenar na dieta. Tudo está interligado. Não me preparei, então o resultado não podia ser mais desastroso. Tenho sorte de ter sobrevivido sem nenhuma lesão.

Vamos ao começo que já começou cagado. Silton não quis me levar para a corrida e até dou razão para ele. Embora eu ache que ele tem que me apoiar em tudo o que faço, entendo como é foda acordar às 4h30 para me levar para uma corrida, da qual sequer vai participar. Além de acordar este horário, dirigir de São Caetano do Sul até o Parque do Povo, no Itaim e esperar 2 horas dentro do carro … é. Ia ser foda pra ele. Pelo menos ele me levou para a estação de trem. Chegamos lá às 4h40 (eu acordei às 4h). Fui de trem fazendo todas as mil baldeações. O trem me atrasou, porque domingo todas as linhas estão em obras. Só sei que cheguei no pórtico, já tinham se passado 15 minutos da largada. Meu pace é ultra mega lerdo, além de que eu caminho durante a prova. Além disso eu havia escolhido correr 12K, distância inédita para mim. Eu confiava que o percurso era completamente plano, mas tive problemas.

Me recuperando de uma gripe, aliado à falta de condicionamento físico, eu andei muito durante a prova e perdi muito o ar, aumentando demais o uso da bombinha. Mesmo assim o tanto que corri (mais do que o normal porque a prova era a maior pra mim), a sola do meus dois pés começaram a arder como se estivessem em brasa. A meia causou atrito, certamente estavam nascendo bolhas. Era impossível de correr.

Quando houve a separação das distâncias entre 6K e 12K até cogitei desistir, mas sou orgulhosa e não teria coragem depois de pegar uma medalha de uma distância que não percorri. Fui firme e continuei. Este foi meu erro. A medida que eu me distanciava dos 3K, fui tomada por um sentimento de arrependimento, ainda teriam 9 pela frente. Era loucura.

Como larguei muito atrasada, a pista já estava vazia. Eu morria de medo de ser a última. Era o psicológico me derrotando. Olhei muito para trás, cara, não tinha quase ninguém correndo, era uma sensação horrível. Se eu pudesse correr, até tudo bem, mas eu estava andando, não tinha como continuar.

No KM 9 dois caras chegaram em mim um de cada lado, me animando a não desistir. “Vamos no trotinho” disse um deles. Expliquei que estava com os pés provavelmente com bolhas, e que também não conseguia correr muito porque tinha bronquite asmática. Um deles apontou para o outro. “Ele tem” disse o da direita. O da esquerda disse ter bronquite-asmática e que dependeu da bombinha por anos. Disse que naquele dia eles iriam fazer 21 km, era um treino. Até então tinham corrido 15. Ele continuou dizendo que no próximo final de semana correrá 21K (correrá Meia Maratona Internacional de São Paulo) e que em julho correrá sua primeira maratona. Eu morrendo porque imagine — correr e conversar ao mesmo tempo — perguntei há quanto tempo ele corria. Ele contou que corre há 2 anos. E que superou a bronquite correndo. “Tudo é questão de condicionamento cardiorespiratório” disse ele. Eu abandonei a missão, estava impossível naquele momento. “Vão, meninos. Obrigada pela força, mas não tá dando”.

Sem nenhuma pessoa em vista (atrás de mim), cruzei a linha de chegada, com vergonha das poucas pessoas que ali estavam. Era como se eu as estivesse atrasando de desmontar tudo e ir embora. Ainda tive que atravessar o viaduto para chegar no parque do povo. A sorte é que uns corredores esperavam alguém ou alguma coisa, então não fui a última a pegar o kit pós prova e medalha.

Eu me arrependi tanto de ter participado e não ter feito 6 ao invés de 12 … Meooo, nunca faça loucuras por conta de orgulho! Eu poderia ter me lesionado, machucado os pés num grau que me impossibilitaria de voltar para casa — ah ainda tem essa, a volta para casa. Foi horrível, foi um caos.

E por mais que tudo tenha sido horroroso, incrivelmente (achei que faria a prova em mais de 2h), terminei em 01:54:12.

Desabafo, Nutricionista

Vitamina D

Há três meses quando fiz meu exame de sangue vi que os índices de Vitamina D estavam abaixo do normal. Questionei a nutricionista com quem eu me consultava na época e ela disse ser normal e que estava tudo bem. Na ocasião eu me queixei de desânimo e cansaço constante. Ela me passou então uma vitamina manipulada com as vitaminas A, C, E, Zinco e Selênio para me dar uma “animada” durante as manhãs. Não ajudou em nada

Acontece que de repente há uns 4 meses eu comecei a me sentir muito cansada, muito depressiva e muito desanimada PARA TUDO. Isso resultou em deixar de ir à academia de manhã porque eu simplesmente não conseguia levantar da cama de tanto sono, mesmo dormindo oito ou mais horas todas as noites. É como se eu tivesse corrido uma maratona na noite anterior, é horrível. Além de tristeza constante — o que me despertou a possibilidade de estar em depressão de novo (tive há anos quando um grande amigo faleceu), eu comecei a notar uma fadiga muscular além do normal e muita dor muscular depois de fazer exercícios físicos leves e simples, mesmo tomando BCAA … Percebi que tinha alguma coisa errada comigo.

A Dra. Joyce com quem voltei a me consultar agora olhou os resultados do exame de sangue (aquele que mostrei para a outra) e disse que preciso aumentar os níveis de Vitamina D! Pesquisei sobre a Vitamina D e percebi que eu sou a falta de Vitamina D ambulante!

A falta dessa vitamina pode desencadear a depressão: estudos têm mostrado que as mulheres com baixos níveis de Vitamina D tendem a ficar deprimidas ou a enfrentar estados de profunda tristeza. Além disso, podem surgir dores musculares, ósseas, fadiga muscular, sangramento na gengiva, acúmulo de placa, sonolência extrema, mudança de humor repentina, perda intensa de sua disposição e queda de cabelo.

A Dra. Joyce me passou as recomendações de quanto consumir diariamente. Pode ser comprada em qualquer farmácia. Vale lembrar e deixar claro que é muito importante ter o diagnóstico médico e o acompanhamento de um profissional. Não é recomendável a auto-medicação. Cada caso é um caso. No meu, tudo fez sentido.

Só sei que estou depositando todas as minhas esperanças na Vitamina D. Espero que realmente seja isso. Quando sentir diferença, volto para contar no que é que deu.

Nutricionista

Nova (velha) Nutricionista.

No sábado passado voltei ao consultório da minha querida nutricionista a Dra. Joyce! Eu havia parado de me consultar com ela, porque depois que me mudei para São Caetano ficou dificil ir para São Paulo e perder metade de um dia de trabalho. Eu não gosto de me ausentar do serviço à toa, e durante a semana ir para São Paulo seria além de caótico, muito cansativo. Para a minha alegria, eu soube que este ano ela passaria a atender também aos Sábados. Não pensei duas vezes!

A consulta foi maravilhosa. Durou quase duas horas! Conversamos sobre tuuuudo, de como está minha rotina agora, coisas que tenho consumido, horários, exercícios, suplementos, metodologias, tudo! Saí de lá muito feliz e aliviada.

Voltarei com ela uma vez a cada mês. Foi com ela que eu emagreci 23 kilos e vai ser com ela que vou recuperar minha forma e saúde que deixei de lado depois que torci o tornozelo (OK eu não vou falar sobre isso de novo). Só sei que eu gosto da metodologia dela e prefiro ela que já me conhece. Vamos recomeçar do zero.

Eu estava me consultando com outra Nutricionista desde Novembro do ano passado. Parei. A partir de agora volto com a Joyce e é isso.

Desabafo

Recomeçar é uma merda

Hoje cheguei na academia cedo, estou voltando a praticar musculação antes do meu trabalho e fui surpreendida que meu professor não atua mais como professor da academia — somente como personal trainer. E lá fui eu ter que de novo, conversar com o novo professor, falar de mim, quem sou, meus anseios, meus medos, minhas travas, meus objetivos … Mas nem sempre dá pra ser como deveria ser.

No meio do esporte e da dieta; incluo dieta nisso, porque é a mesma coisa com nutricionista: todo mundo a primeira instância te trata como um porco sedentário filho da puta como se comesse 1 Big Mac por dia no café da manhã.

Me lembro quando entrei nessa academia que frequento hoje; fiz um teste de sete dias grátis antes de assinar o contrato. O primeiro dia foi tão pavoroso que se eu me baseasse naquele dia, e no professor que me atendeu, não pisaria lá nunca mais. Ainda bem que tentei de novo, e de novo, e de novo … Me lembro que mal fui apresentada ao professor (que dá aula lá ainda), o cara mal escutou que eu já fazia musculação. Ele deve ter me olhado de cima a abaixo e pensado: puta gorda do caralho, vou mandar ela pra esteira pra derreter essa gordura. Ele já foi aumentando a velocidade me mandando correr e eu tive que pará-lo e enfiar goela abaixo dele que eu tinha bronquite asmática e que as coisas não eram bem assim como ele achava que deveria ser. De qualquer forma, ele não me deu abertura para eu falar que não era novata, nem qual era minha meta (emagrecer, claro; mas correr sem caminhar). Noutro dia outro professor, também meio grosseirão já foi ditando o que deveria fazer sem me escutar; no terceiro dia conheci outro professor que aí sim me ouviu com calma.

Eu acredito que todo profissional que for cuidar da saúde de uma pessoa, precisa escutá-la antes de prescrever exercícios ou dieta. Acho que todo professor ou nutricionista precisa ser um pouco psicólogo e que a primeira conversa sirva para conhecer o “paciente”.

Nem todo mundo que pisa na academia pela primeira vez é sedentário, nem todo gordo é desleixado com a saúde, nem todo mundo que quer mudar de vida está fazendo isso porque o médico mandou, nem todo gordo come tranqueirada o dia inteiro, nem todo mundo que vai a um consultório de um nutricionista come cocô.

Lembro-me quando passei e me consultar com a nutricionista Dra. Joyce — e ai que saudade dela! A primeira consulta creio durou umas duas horas. Conversamos sobre tudo e nela ganhei a total confiança. Até contei que comia brócolis no lanche da manhã. Contei tudo, sobre o que fiz na vida, porque tinha chegado àquele ponto e aonde queria chegar; e o que aparentemente me impedia. Infelizmente parei de me consultar com ela por conta da distância. Além de sempre muito agradáveis as conversas, a dieta parecia fluir mais naturalmente, e não foi a toa que com ela eu emagreci 23 kilos.

Recentemente passei a me consultar com outra nutricionista, mais perto de casa e do trabalho. Apesar dela ser super boazinha (e de eu já ter emagrecido um pouco e das medidas estarem diminuindo), eu mal consegui contar do que já fiz na vida fitness.

Cada caso é um caso. Cada pessoa carrega uma história diferente, seja ela de tentativas ou de tentativa zero. Mesmo que a pessoa nunca tenha feito nada de diferente na vida, como uma dieta, um exercício, o simples fato dela estar disposta já rende história. Não deve existir fórmula e forma única de se tratar uma pessoa.

Eu me apoio muito na bronquite, talvez por medo, por fazer dela uma muleta, um escudo, mas é fato que SE eu não digo para a pessoa, ela me mete a mandar correr como se não houvesse amanhã e eu realmente tenho limitações físicas. Temo pela saúde de outras pessoas atendidas por esses “profissionais automáticos” ou “médiuns”. Todo mundo que lida com gente, deveria ser um pouco psicólogo.

Hoje tive que me “explicar” para o novo professor da manhã. Ele não parecia muito interessado, mas ele precisou me escutar. Felizmente já estou me acostumando com essas pessoas e já consigo resumir minha experiência no esporte e com as dietas; as conversas não demoram muito.

Imagina que legal seria um profissional que soubesse que eu era atleta mirim de natação e que eu era tão promissora que se não tivesse parado, talvez eu fosse uma Phelps da vida … Ou que soubesse que eu amo musculação e que mesmo que não tão regular quanto devesse, malho há uns 4 anos. Ou um nutricionista que não se espantasse em saber que já bebo mais de 2 litros de água todos os dias, ou que amo chá verde (de erva — não os industrializados).

Mas infelizmente a maioria só atende no modo automático. Acho que é mais fácil ou mais cômodo achar que todo mundo é um imprestável preguiçoso que faz tudo errado na vida e que decidiu mudar de vida naquele exato momento.